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Hélio Oiticica: biografia, carreira e obras

Hélio

Um dos maiores nomes entre os artistas plásticos brasileiros, sem dúvida, é o de Hélio Oiticica. Pintor, escultor e artista performático, surgiu como outros membros da vanguarda brasileira da década de 1970, buscando definir novos parâmetros de participação pública na obra de arte, criando novas sensibilidades.

Sua forma de apresentação e relacionamento com o público definiram novos parâmetros para a obra de arte, que lhe conferem um caráter único. Sua abordagem define explicitamente novos paradigmas para a arte. Ela também projeta novas formas de conhecimento e participação específicas para o objeto artístico. Esse artigo descreve e analisa algumas características desse processo na arte brasileira da época.

Biografia

Hélio Oiticica foi um artista plástico brilhante. Além disso, foi escultor, pintor, artista performático e teórico, é reconhecido internacionalmente por participar do Movimento Neoconcreto, pelo uso inovador da cor e pelo que posteriormente ficou conhecido como “arte ambiental”, que incluía Parangolés, Penetrables e a Tropicália. Além disso, teve carreira como cineasta e escritor.

Infância e ensino

Oiticica era um prodígio rebelde e impulsivo, cujos talentos foram incentivados por seus pais, especialmente por seu pai. Nascido no Rio de Janeiro, passou sua infância ao lado dos pais e de dois irmãos mais novos como as principais obras de Richard Estes. A família de Hélio foi educada e envolvida na política liberal. Seu pai, além de engenheiro, ensinava matemática, entomologista e lepidopterologista, ciência que pesquisava borboletas.

Além disso, era também fotógrafo, e passava boa parte do tempo registrando fotos experimentais no Brasil. Seu avô era um filólogo conhecido no meio acadêmico. Estudava textos literários e documentos e publicando em um jornal conhecido como Ação Direta.

Tanto Oiticica quanto seus irmãos tiveram seus estudos em casa, até que seu pai conseguir uma bolsa de estudos na Fundação Guggenheim. A família mudou-se para Washington em 1947, onde permaneceu até o ano de 1949. Durante esse período o pai de Hélio trabalhou no Museu Nacional de História Natural.

Já Hélio e seus irmãos estudaram na Thomson Elementary School. A família acabou voltando ao Brasil em 1950.

Oiticica se matriculou na escola de arte aos 16 anos de idade. De 1954 em diante, envolveu-se em diversos cursos diferentes oferecidos pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Onde inclusive acabou estudando com o ilustre Ivan Serpa. Em 1955, ingressou no Grupo Frente.

Começo de carreira

As primeiras obras de Oiticica surgiram na década de 1950, sendo bastante influenciadas pelos movimentos de arte moderna da Europa, principalmente a arte concreta e De Stijl. Ele era integrante do Grupo Frente, criado por Ivan Serpa, antigo professor de pintura. Suas obras iniciais usavam apenas uma paleta de cores primárias e secundárias fortes e brilhantes, junto de formatos geométricos influenciados por artistas como Piet Mondrian, Paul Klee e Kazimir Malevich.

Com o passar do tempo, a pintura de Hélio ligeiramente deu espaço para cores mais quentes e sutis de laranja, vermelho e amarelo. Essa inclinação se manteve, com algumas exceções, pelo resto de sua vida.

Em 1959, envolveu-se no Movimento Neoconcreto, de curta duração, mas influente. O Movimento Neoconcreto rejeitava a essência direta da Arte Concreta e procurando utilizar a fenomenologia na criação que “expressasse a verdadeira e complexa realidade humana”. Isso foi descrito em manifesto assinado por nomes como Amílcar de Castro e Lygia Clark, entre outros grandes artistas da época, e posteriormente publicado no Rio de Janeiro em março de 1959, que ficou conhecido como Manifesto neoconcreto.

Neoconcretismo

O neoconcretismo focou na criação de uma compreensão interior do espectador, e da relação espacial com a obra de arte. Tornando as obras de arte mais semelhantes a organismos vivos do que formas estáticas. Nesse sentido eles foram feitos a fim de interagir com os espectadores.

No decorrer do período neoconcreto, Oiticica buscou “libertar-se das limitações da pintura enquanto mantinha um diálogo com ela”, utilizando cores de novas maneiras. Essas pequenas placas quadradas de madeira (30 x 30 cm) não foram feitas para representar a luz, mas Oiticica procurava incorporá-la. Desse modo questionou as ideias tradicionais de estética e práticas artísticas, considerando o espectador e as ideias do espaço real em sua obra.

A cor tornou-se um assunto-chave do trabalho de Hélio Oiticica, experimentando pinturas e esculturas de madeira penduradas com sutis (às vezes quase imperceptíveis) diferenças de cor dentro ou entre as seções. Essas esculturas penduradas cresceram gradualmente em escala e os trabalhos posteriores consistiram em muitas seções penduradas, formando o trabalho geral, como um desenvolvimento espacial de seus primeiros experimentos com pintura.

Arte de interação

Durante os anos de 1960, realizou diversas esculturas interativas, chamadas Bólides, com painéis e portas que os espectadores podiam mover e explorar. Ao longo das décadas de 1960 e 1970, produziu instalações chamadas Penetráveis com as quais os telespectadores podiam entrar e interagir.

A mais influente delas foi Tropicália (1967), que deu nome ao movimento Tropicalismo. Ele também criou obras chamadas Parangolés, que consistiam em camadas de tecido, plástico e esteiras destinadas a serem usadas como roupas, mas experimentadas como esculturas móveis. As primeiras experiências parangolés foram realizadas em conjunto com dançarinos da escola de samba Mangueira, na qual Oiticica também participava.

Em 1965, ele participou da exposição “Soundings two”, na galeria Signals London, ao lado de importantes nomes como Josef Albers, Brancusi, Lygia Clark e Marcel Duchamp, entre outros.

Em 1969, preparou uma exposição individual na Whitechapel Art Gallery, em Londres, com curadoria de Guy Brett. Oiticica chamou a exposição de “experiência Whitechapel”.

Já no ano de 1970, ele participou da exposição “Informação” no Museu de Arte Moderna de Nova York.
Depois de morar no bairro de East Village, em Nova York, Oiticica acabou tendo uma série de impasses com a imigração, e foi obrigado a retornar para o Rio de Janeiro.

Morte precoce de Hélio Oiticica

Oiticica faleceu em 22 de março de 1980 aos 42 anos, vítima de um acidente vascular cerebral, em consequência de hipertensão.

A carreira de Hélio Oiticica é um jogo de recuperação que se move com uma velocidade quase vertiginosa de conservador para radical e de derivado para original.

Fonte: https://artout.com.br/pontilhismo/